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2026

Trabalho desenvolvido para a comunicação, através das redes sociais, de um evento da Asociación Española de Paisajistas em colaboração com a APAP (Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas).

Lisboa

Em Lisboa, a arquitectura manifesta-se como resultado de um processo contínuo de reconstrução, adaptação e sobrevivência. Entre rupturas sísmicas, reformulações urbanas e persistências históricas, a cidade apresenta-se como um corpo irregular, onde estruturas de diferentes épocas se justapõem sem uma lógica linear, mas com uma coerência adquirida pelo uso e pelo tempo.

Elementos como o Elevador de Santa Justa, o Largo das Necessidades ou as ruínas do Convento do Carmo revelam momentos distintos dessa construção fragmentada: a engenharia metálica inserida no tecido histórico, o espaço urbano como pausa e transição, e a ruína assumida não como ausência, mas como presença activa na memória colectiva. O desenho procura registar essas camadas, fixando instantes onde a arquitectura se revela mais como processo do que como forma acabada — um equilíbrio instável entre permanência, transformação e vivência quotidiana.

Olivença

Em Olivença, a muralha apresenta-se como um sistema contínuo de contenção e vigilância, marcado por sucessivas camadas históricas que reflectem a sua importância estratégica ao longo dos séculos. Reforçada sobretudo entre os séculos XIV e XVI, num território de fronteira instável, a fortificação revela uma arquitectura adaptada à artilharia, onde a massa e a espessura substituem o gesto decorativo, ainda que subsistam elementos associados ao período manuelino, visíveis na transição entre função militar e afirmação simbólica.

Observada de perto, a muralha expõe a materialidade do tempo: panos irregulares, remates interrompidos, juntas e reparações que denunciam diferentes fases construtivas. O desenho procura isolar essa estrutura do contexto envolvente, registando a fortificação como corpo autónomo, onde a severidade defensiva convive com subtis sinais do vocabulário manuelino — não como ornamento pleno, mas como marca histórica inscrita na própria matéria da pedra.

Portel

A muralha do castelo de Portel revela-se como um traço contínuo inscrito na paisagem, onde a função defensiva original se manifesta na espessura da pedra, na repetição dos panos e na relação directa com o terreno. Construída no final do século XIII, esta estrutura não se impõe pela altura excessiva, mas pela presença sólida e persistente, pensada para resistir mais ao tempo do que ao olhar.

Isolada do contexto urbano, a muralha permite uma leitura mais directa da matéria e da intenção construtiva — a irregularidade das superfícies, as marcas de reparação e a erosão lenta que suaviza as linhas sem as apagar. O desenho procura registar esse diálogo entre geometria e desgaste, onde a arquitectura militar se aproxima de uma forma quase elemental, reduzida à sua essência: conter, delimitar e permanecer.

Alandroal

Situado na margem oriental do Alentejo, o Alandroal consolidou-se como ponto estratégico durante a Idade Média, num território marcado pela proximidade da fronteira e pela necessidade de vigilância contínua. O castelo, erguido no século XIII no contexto da reconquista cristã, estrutura ainda hoje a leitura da vila, dominando uma paisagem ampla onde a arquitectura se adapta à topografia e à função defensiva original.

Sobre fundações mais antigas, que remontam à presença romana e ao povoamento disperso do território, o Alandroal cresceu de forma contida, preservando um traçado urbano simples e funcional.
O desenho procura registar essa sobreposição silenciosa de épocas — a forma como a história militar se dilui no quotidiano rural e como o tempo, em vez de apagar, sedimenta as marcas que definem o carácter do lugar.