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Castelo de Vide

Situada na encosta norte da Serra de São Mamede, Castelo de Vide conserva um dos mais notáveis conjuntos medievais do Alentejo. As suas ruas estreitas, o castelo e o antigo bairro judaico revelam a convivência de culturas que marcou a identidade da vila.

Castelo

Estes desenhos procuram registar essa persistência do passado — a harmonia entre a pedra, a luz e o tempo — que faz de Castelo de Vide um dos lugares mais singulares da paisagem portuguesa.

Porta da Vila

Largo da Senhora da Alegria

Campo Maior

FORTIFICAÇÕES

No cimo do outeiro, ergue-se o castelo medieval, originalmente mandado reedificar por D. Dinis em 1310 e enriquecido nos séculos XV e XVI durante os reinados de D. João II e D. Manuel I, deixando testemunho do seu vigor defensivo e da sua presença simbólica no tecido urbano. Ao longo dos séculos XVII e XVIII, a velha fortificação monótona foi transformada numa praça-forte abaluartada, adaptando-se às exigências das novas tácticas de guerra e reflectindo o papel estratégico de Campo Maior na defesa do território.
No entanto, um dos episódios mais traumáticos da sua história aconteceu em 16 de setembro de 1732, quando um raio atingiu o paiol de pólvora instalado na torre de menagem do castelo, provocando uma explosão colossal que arrasou grande parte da vila medieval, matou centenas de habitantes e destruiu não apenas o castelo mas também boa parte das muralhas e habitações adjacentes.

Da tragédia surgiu uma sucessiva reconstrução, ordenada por D. João V, que remodelou e reduzidamente reorganizou a fortificação, transformando-a numa estrutura de maior operacionalidade e acompanhando, nessa recomposição urbana, a vida quotidiana da vila que se ergueu das cinzas. Hoje, restam vestígios das muralhas medievais e parte da torre com janelas renascentistas — pequenas janelas manuelinas que recordam a sua longa genealogia arquitectónica — integradas nas formas posteriores abaluartadas.

O desenho procura captar esta convivência entre memória e reconstrução: a presença do castelo e dos baluartes como elementos estruturantes de um lugar que foi ao mesmo tempo objeto de guerra e cenário de uma comunidade resiliente, onde cada pedra carrega as marcas não apenas de defesa mas também de renascimento e continuidade no quotidiano alentejano.

RUAS

Nas ruas de Campo Maior, a arquitectura revela-se menos como afirmação e mais como continuidade. O traçado urbano desenvolve-se a partir de percursos contidos, ajustados à topografia e às sucessivas camadas de ocupação, onde a proximidade entre as construções reforça uma leitura íntima e quase doméstica do espaço público.

As fachadas, maioritariamente simples, organizam-se por alinhamentos regulares, onde a cal branca, os vãos contidos e os embasamentos marcados constroem uma linguagem repetida e silenciosa. O desenho procura registar essa regularidade sem hierarquia, fixando momentos em que a rua se afirma não como cenário, mas como estrutura vivida — um espaço moldado pela passagem, pela adaptação e pela persistência de gestos construtivos elementares, onde o tempo actua de forma discreta, incorporado na matéria e no uso quotidiano.

IGREJAS E CAPELAS

Em Campo Maior, as igrejas e capelas configuram um conjunto religioso de grande densidade histórica e arquitectónica, espelhando a evolução da devoção e da comunidade ao longo dos séculos.
No centro do tecido urbano, ergue-se a Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora da Expectação, construída entre 1570 e 1646 num registo maneirista que convida à introspecção e à contemplação. O interior, com altares barrocos e tribunas de meados do século XVIII, afirma a transição entre a austeridade renascentista e o desenvolvimento decorativo posterior.
Anexa à Matriz encontra-se a singular Capela dos Ossos, datada de 1766 e conhecida também como Capela das Almas. Este espaço — uma das maiores capelas de ossos em Portugal — decorre directamente da tragédia de 1732; as ossadas humanamente dispostas no interior funcionam como memória física desse acontecimento dramático.
Já na Rua de São João Baptista, a Igreja de São João Baptista apresenta planta octogonal em estilo clássico, com interior revestido de mármore e capelas ornais que consolidam a presença do barroco religioso na vila. Esta igreja foi edificada sobre os restos de um templo anterior destruído pela mesma explosão de 1732, reflectindo a determinação comunitária em reconstruir e afirmar a fé através da arquitectura.
A par destas, a Igreja da Misericórdia, fundada em 1592 e ampliada nos séculos seguintes, testemunha a tradição de assistência e culto ligada às confrarias locais, ainda que hoje não se encontre em uso regular.
Outros pontos devocionais — como a Ermida de São Sebastião junto às fortificações, a Capela do Senhor dos Aflitos no interior do castelo e a Capela de Nossa Senhora do Carmo, que hoje alberga o Museu de Arte Sacra com peças recolhidas de várias igrejas do concelho — compõem um percurso religioso que desdobra o sagrado em diferentes escalas e vocações.
Este conjunto não funciona apenas como património: as igrejas e capelas estruturam a paisagem urbana e articulam a história da crença com o uso quotidiano, oferecendo momentos de recolhimento e contacto com gestos e formas que resistem ao tempo, onde o espaço sagrado se revela tanto na grande escala dos edifícios paroquiais como na intimidade das pequenas ermidas e nichos dispersos pelas ruas.

FONTES

Em Campo Maior, as fontes dispersas pelo tecido urbano estruturam uma camada suplementar de memória colectiva e de uso quotidiano, conectando a presença humana ao recurso essencial da água. Para além de elementos utilitários, estas fontes assumem uma presença formal e simbólica no espaço público, interpretando a relação entre funcionalidade, tradição e identidade local.
A Fonte Nova, situada numa das entradas da vila, remonta ao século XVI e é composta por um tanque em mármore encimado por um espaldar de alvenaria com brasão de armas de Portugal e esferas manuelinas, testemunhando a circulação de motivos e a importância do símbolo régio no contexto urbano alentejano.
Além desta, a vila conserva diversas outras estruturas de abastecimento — como a Fonte do Largo do Barata ou as fontes associadas aos antigos lavadouros públicos — que atestam a importância da água na formação e expansão do lugar, orientando não apenas movimentos e encontros, mas também a própria organização do espaço social.
O desenho procura registar estes pontos como vestígios de práticas e interacções sustentadas pela água, fixando momentos em que o traçado do espaço se ajusta à presença das fontes, onde a pedra e a cal não são apenas materiais construtivos, mas também símbolos de uma continuidade que atravessa gerações e contextos de uso quotidiano.

OUGUELA

Em Ouguela, a arquitectura afirma-se como vestígio extremo de um território de fronteira, onde a escala reduzida do lugar intensifica a leitura da fortificação e do espaço construído. O castelo medieval, implantado sobre uma elevação isolada, organiza-se segundo uma lógica defensiva clara, posteriormente adaptada com elementos abaluartados que respondem às transformações da guerra moderna.

Em torno da fortaleza, o pequeno núcleo habitado desenvolve-se de forma contida, quase residual, composto por construções simples que acompanham o traçado irregular do terreno. A relação entre o castelo, as muralhas e as casas revela uma economia rigorosa de meios, onde cada volume responde directamente à necessidade e à permanência. O desenho procura registar essa condição limite, fixando Ouguela como lugar suspenso entre a arquitectura militar e a paisagem aberta, onde a linha construída se impõe pela sua precisão e onde o tempo actua de forma lenta, transformando a defesa em memória silenciosa e o isolamento em identidade.

Avis

Situada no norte do Alentejo, Avis desenvolveu-se a partir do castelo fundado pela Ordem de Avis no século XIII. O traçado medieval, as torres e os troços de muralha ainda visíveis recordam a importância estratégica da vila na defesa do território.
O desenho regista essa herança, marcada pela relação entre a arquitetura militar e a paisagem alentejana.

Estremadura e Ribatejo

Beiras (sul)

Arronches

Situada junto ao rio Caia, Arronches guarda a serenidade típica do Alto Alentejo. A sua história remonta ao período medieval, quando fazia parte das linhas defensivas da fronteira, e hoje distingue-se pelas ruas caiadas, pelas muralhas e pela harmonia entre campo e vila.
O desenho capta essa essência onde tradição e simplicidade se encontram.
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