Lisboa
Em Lisboa, a arquitectura manifesta-se como resultado de um processo contínuo de reconstrução, adaptação e sobrevivência. Entre rupturas sísmicas, reformulações urbanas e persistências históricas, a cidade apresenta-se como um corpo irregular, onde estruturas de diferentes épocas se justapõem sem uma lógica linear, mas com uma coerência adquirida pelo uso e pelo tempo.
Elementos como o Elevador de Santa Justa, o Largo das Necessidades ou as ruínas do Convento do Carmo revelam momentos distintos dessa construção fragmentada: a engenharia metálica inserida no tecido histórico, o espaço urbano como pausa e transição, e a ruína assumida não como ausência, mas como presença activa na memória colectiva. O desenho procura registar essas camadas, fixando instantes onde a arquitectura se revela mais como processo do que como forma acabada — um equilíbrio instável entre permanência, transformação e vivência quotidiana.

