Castelo Branco
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Castelo Branco ergue-se sobre a planície como uma vigília antiga, feita de pedra clara e horizontes abertos. Aqui o olhar não se perde num rio, mas alonga-se na vastidão da Beira, onde a luz se espalha com uma nitidez quase austera e o castelo, em ruína vigilante, continua a marcar o pulso da paisagem.
As ruas sobem e descem num traçado sereno, entre casas baixas, varandas de ferro, sombras projectadas no calor lento das tardes. Nos Jardins do Paço, a cidade revela a sua outra respiração: a ordem dos buxos bordados, a água quieta das fontes, a memória esculpida em azulejo e pedra. É aí que o tempo abranda e o gesto encontra medida.
Castelo Branco vive desse equilíbrio particular entre o rigor da terra e a delicadeza do traço humano. Entre muralhas gastas, jardins geométricos e o silêncio aberto dos arredores, a cidade oferece-se ao desenho com simplicidade e verdade. É essa quietude luminosa, entre história, paisagem e vida lenta, que procuro fixar nos meus registos — como quem desenha a respiração discreta de um lugar que sabe durar.


