Lisboa
Lisboa
Em Lisboa, a arquitectura manifesta-se como resultado de um processo contínuo de reconstrução, adaptação e sobrevivência. Entre rupturas sísmicas, reformulações urbanas e persistências históricas, a cidade apresenta-se como um corpo irregular, onde estruturas de diferentes épocas se justapõem sem uma lógica linear, mas com uma coerência adquirida pelo uso e pelo tempo.
Elementos como o Elevador de Santa Justa, o Largo das Necessidades ou as ruínas do Convento do Carmo revelam momentos distintos dessa construção fragmentada: a engenharia metálica inserida no tecido histórico, o espaço urbano como pausa e transição, e a ruína assumida não como ausência, mas como presença activa na memória colectiva. O desenho procura registar essas camadas, fixando instantes onde a arquitectura se revela mais como processo do que como forma acabada — um equilíbrio instável entre permanência, transformação e vivência quotidiana.
Olivença
Olivença
OxiRoot | Portefólio | Desenho | Portugal | Alentejo Central
Em Olivença, a muralha apresenta-se como um sistema contínuo de contenção e vigilância, marcado por sucessivas camadas históricas que reflectem a sua importância estratégica ao longo dos séculos. Reforçada sobretudo entre os séculos XIV e XVI, num território de fronteira instável, a fortificação revela uma arquitectura adaptada à artilharia, onde a massa e a espessura substituem o gesto decorativo, ainda que subsistam elementos associados ao período manuelino, visíveis na transição entre função militar e afirmação simbólica.
Observada de perto, a muralha expõe a materialidade do tempo: panos irregulares, remates interrompidos, juntas e reparações que denunciam diferentes fases construtivas. O desenho procura isolar essa estrutura do contexto envolvente, registando a fortificação como corpo autónomo, onde a severidade defensiva convive com subtis sinais do vocabulário manuelino — não como ornamento pleno, mas como marca histórica inscrita na própria matéria da pedra.
Portel
Portel
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A muralha do castelo de Portel revela-se como um traço contínuo inscrito na paisagem, onde a função defensiva original se manifesta na espessura da pedra, na repetição dos panos e na relação directa com o terreno. Construída no final do século XIII, esta estrutura não se impõe pela altura excessiva, mas pela presença sólida e persistente, pensada para resistir mais ao tempo do que ao olhar.
Isolada do contexto urbano, a muralha permite uma leitura mais directa da matéria e da intenção construtiva — a irregularidade das superfícies, as marcas de reparação e a erosão lenta que suaviza as linhas sem as apagar. O desenho procura registar esse diálogo entre geometria e desgaste, onde a arquitectura militar se aproxima de uma forma quase elemental, reduzida à sua essência: conter, delimitar e permanecer.
Alandroal
Alandroal
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Situado na margem oriental do Alentejo, o Alandroal consolidou-se como ponto estratégico durante a Idade Média, num território marcado pela proximidade da fronteira e pela necessidade de vigilância contínua. O castelo, erguido no século XIII no contexto da reconquista cristã, estrutura ainda hoje a leitura da vila, dominando uma paisagem ampla onde a arquitectura se adapta à topografia e à função defensiva original.
Sobre fundações mais antigas, que remontam à presença romana e ao povoamento disperso do território, o Alandroal cresceu de forma contida, preservando um traçado urbano simples e funcional.
O desenho procura registar essa sobreposição silenciosa de épocas — a forma como a história militar se dilui no quotidiano rural e como o tempo, em vez de apagar, sedimenta as marcas que definem o carácter do lugar.
Penela
Penela
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Penela é uma vila marcada pela pedra e pela linha defensiva que, durante séculos, estruturou o território entre o Mondego e a serra. O castelo, de origem medieval, integrou a rede de fortificações da Linha do Mondego e manteve durante muito tempo uma função estratégica na defesa da região de Coimbra. Ainda hoje, a sua presença define a relação entre a vila e a paisagem envolvente.
O traçado das ruas conserva essa herança de lugar resguardado: percursos estreitos, desníveis suaves, casas compactas, onde a vida quotidiana se cruza naturalmente com os vestígios da história. Entre muros, largos e pequenas fachadas, a escala mantém-se humana e o ritmo é pausado.
É nessa convivência directa entre estrutura histórica, território e vida corrente que encontro matéria para os meus registos. Penela oferece-se ao desenho sem grandiosidade, mas com coerência e permanência — qualidades que procuro fixar, linha a linha, na relação entre lugar e observação.
Castelo Branco
Castelo Branco
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Castelo Branco ergue-se sobre a planície como uma vigília antiga, feita de pedra clara e horizontes abertos. Aqui o olhar não se perde num rio, mas alonga-se na vastidão da Beira, onde a luz se espalha com uma nitidez quase austera e o castelo, em ruína vigilante, continua a marcar o pulso da paisagem.
As ruas sobem e descem num traçado sereno, entre casas baixas, varandas de ferro, sombras projectadas no calor lento das tardes. Nos Jardins do Paço, a cidade revela a sua outra respiração: a ordem dos buxos bordados, a água quieta das fontes, a memória esculpida em azulejo e pedra. É aí que o tempo abranda e o gesto encontra medida.
Castelo Branco vive desse equilíbrio particular entre o rigor da terra e a delicadeza do traço humano. Entre muralhas gastas, jardins geométricos e o silêncio aberto dos arredores, a cidade oferece-se ao desenho com simplicidade e verdade. É essa quietude luminosa, entre história, paisagem e vida lenta, que procuro fixar nos meus registos — como quem desenha a respiração discreta de um lugar que sabe durar.
Guarda
Guarda
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A Guarda é uma cidade erguida no alto, onde o granito guarda o frio e o horizonte se abre em todas as direções. Na Praça Velha, entre torres, arcarias e muralhas antigas, sente-se o silêncio próprio das cidades de altitude, um silêncio que amplia a luz e delineia cada contorno.
As ruas estreitas da parte antiga — recortadas pelo tempo, pelo vento e pelas sombras — revelam uma arquitetura austera, mas profundamente expressiva. A Sé, maciça e elegante, impõe-se como um farol mineral, e ao seu redor a vida desenrola-se devagar, marcada por invernos rigorosos e verões claros.
Sé Catedral
Entre a serra que se adivinha ao longe e o casario que resiste ao clima agreste, a Guarda oferece uma beleza depurada: texturas de pedra, contrastes nítidos, detalhes que só a luz alta faz emergir. É essa essência — a força do lugar, a quietude das alturas e o desenho que o granito sugere — que procuro registar nos meus traços.
Coimbra
Coimbra
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Coimbra é uma cidade onde o rio molda o olhar e as velhas pedras guardam séculos de memória. A alta, coroada pela Universidade, deixa ecoar passos antigos, enquanto as ruas estreitas descem em curvas suaves até ao Mondego, sempre atento, sempre presente.
Entre pátios escondidos, arcadas e escadórios, a vida faz-se de ritmos próprios — o rumor estudantil, os sinos que marcam o tempo, a luz que dança pelas fachadas medievais e pelos claustros tranquilos. Nos seus miradouros, a cidade abre-se em camadas de história e de habitação, como um caderno secreto.
Coimbra tem essa forma única de equilibrar o erudito e o quotidiano: a monumentalidade do saber, os jardins sombreados, as margens serenas onde o desenho encontra repouso. É essa síntese — entre tradição, paisagem e vida vivida — que procuro traduzir nos meus registos visuais, linha a linha, como quem acompanha a respiração antiga da cidade.
Coimbra tem essa forma única de equilibrar o erudito e o quotidiano: a monumentalidade do saber, os jardins sombreados, as margens serenas onde o desenho encontra repouso. É essa síntese — entre tradição, paisagem e vida vivida — que procuro traduzir nos meus registos visuais, linha a linha, como quem acompanha a respiração antiga da cidade.
Monforte
Monforte
OxiRoot | Portefólio | Desenho | Portugal | Alto Alentejo
Situada no Alto Alentejo, Monforte cresceu em torno do antigo núcleo fortificado que dominava a paisagem aberta das herdades. Hoje, restam apenas vestígios do castelo medieval, mas o traçado do lugar conserva a memória da sua função defensiva: ruas estreitas, alinhamentos irregulares e a torre que ainda marca o ponto mais alto da vila.
Igreja de Santa Maria Madalena
Entre a presença romana da vizinha Torre de Palma e a arquitectura sóbria do casario caiado, Monforte revela uma continuidade silenciosa entre épocas. O desenho procura registar essa relação entre o que desapareceu e o que permanece — a forma discreta como a história se entranha na paisagem alentejana, moldando o horizonte e o ritmo do lugar.


















